'Índios, negros e pobres': bandeira de desfile campeão da Mangueira vira peça de museu

A partir do dia 4 de fevereiro, peça criada pelo carnavalesco Leandro Vieira estará exposta para visitação no MAM do Rio


Da Sapucaí para o Museu de Arte Moderna do Rio (MAM). O destino, um tanto quanto incomum, surgiu no horizonte de uma peça criada pelo carnavalesco Leandro Vieira. Em 2019, ano da conquista de seu bicampeonato com a Mangueira, ele encerrou o desfile “História para ninar gente grande” com uma bandeira do Brasil reinventada. No lugar do verde, amarelo e azul, via-se o verde e rosa da Estação Primeira, e substituindo a frase “ordem e progresso” estava a inscrição “índios, negros e pobres”.

A partir do dia 4 de fevereiro, a peça “Bandeira brasileira”, já tão fotografada e compartilhada nas redes, poderá ser vista de perto novamente, desta vez pelo visitante do MAM. Ela foi instalada no paredão do Salão Monumental e seu desembarque na instituição faz parte do programa “Saberes da Mangueira”, que ocupa até março o museu com palestras e oficinas sob curadoria do próprio Leandro.

Para ele, este é mais um passo importante no estreitamento entre o dito meio “tradicional” das artes e o carnaval.

— Acho que neste momento de não folia e de lutas pelo reconhecimento da atividade, é muito bacana um artista que cria exclusivamente para o carnaval ganhar espaço na arte contemporânea. O registro dos trabalhadores instalando a bandeira aqui no MAM transmite a ideia de uma nova ordem, a construção de um novo Brasil.

Elogios de Caetano

Em 2020, Leandro foi indicado ao Prêmio Pipa e, assim sendo, pela primeira vez em 11 anos um carnavalesco pôde ver seu trabalho incluído em um dos catálogos mais prestigiados sobre arte contemporânea.

Tantas conquistas chamam atenção e geram orgulho até de célebres amigos do artista, como Caetano Veloso, que desfilou em 2016 pela Mangueira na apresentação campeã em homenagem à irmã, Maria Bethânia, com enredo assinado por Leandro.

Caê classifica como “magnífica” uma obra que consegue verter a bandeira brasileira numa peça em verde e rosa, e sem uma frase positivista como “ordem e progresso”.

— No desfile, a bandeira ressaía como uma obra de arte subversiva. No museu, concentra sua mensagem, dá tempo a quem olha para meditar sobre o carnaval e o Brasil, sobre a arte e sua função na história. — analisa o cantor — O verde-e-rosa salva o verde-e-amarelo, reaviva-o e chama-o para seu próprio lugar.


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