Polícia francesa prende mais 4 suspeitos por morte de professor que mostrou caricatura de Maomé

Ao todo, 9 pessoas foram detidas. Homem apontado como responsável por decapitar a vítima foi morto pela polícia.

Por G1 17/10/2020 05h05 Atualizado há 10 horas

A polícia da França prendeu entre a noite desta sexta-feira (16) e a madrugada deste sábado (17) mais cinco suspeitos de participação no assassinato de um professor que mostrou caricaturas de Maomé a seus alunos. Assim, o número de detidos pelo crime subiu para nove. O homem apontado como o responsável por decapitar a vítima foi morto pela polícia.

  • Quem era Samuel Paty, o professor decapitado na França ao ensinar a liberdade de expressão

Polícia isola área onde um professor foi decapitado em Conflans-Saint-Honorine, nos arredores de Paris, na sexta-feira (16) — Foto: Michel Euler/AP Entre os novos presos estão dois pais de alunos do instituto onde o professor Samuel Paty, de 47 anos, trabalhava. De acordo com a investigação, eles discutiram com o educador por causa da caricatura de Maomé exibida em sala de aula. Os muçulmanos acreditam que qualquer representação do profeta é uma blasfêmia. Também foram presas três pessoas próximas ao agressor e quatro familiares dele, incluindo um menor de idade. Segundo as investigações, um dos pais de alunos detidos gravou vídeos nos quais rotulava Paty de bandido e pedia sua demissão. Em um deles, ele instou outros a "unir forças" e pedir: “pare, não toque em nossos filhos”. Esses vídeos foram compartilhados nas redes sociais. Uma meia-irmã desse suspeito ingressou no Estado Islâmico, na Síria, em 2014. Não se sabe ainda se o agressor o conhecia. O caso aconteceu na sexta, por volta das 17h locais (12h de Brasília), perto da escola onde o professor lecionava em Conflans-Sainte-Honorine, uma pequena cidade 35 mil habitantes a 50 quilômetros de Paris. Segundo a polícia francesa, o homem que cometeu o crime era um russo de origem chechena de 18 anos. Os agentes afirmam que tentaram prendê-lo após o ataque, mas ele estava agressivo e, por isso, foi necessário abrir fogo e matá-lo. O agressor era refugiado e vivia na cidade de Evreux, a noroeste de Paris. Ele não era conhecido pelos serviços de inteligência, disse o promotor Jean-François Ricard.

Professor é decapitado por homem armado com faca, nos arredores de Paris Agressor pediu para mostrar vítima Jean-François Ricard, promotor da Procuradoria Nacional Antiterrorista da França, disse neste sábado que o agressor pediu a alunos da escola que mostrassem a ele quem era o professor. Uma fotografia do corpo do professor foi descoberta no telefone do agressor, que chegou a postá-la no Twitter, com a seguinte mensagem: "Em nome de Alá, o mais gracioso, o mais misericordioso, ... ao Macron, líder dos infiéis, executei um de seus cães infernais que ousou depreciar Mohammad." A postagem foi removida rapidamente pelo Twitter, que disse ter suspendido a conta por violar a política da empresa. 'Terrorista' O presidente da França, Emmanuel Macron, visitou o local da ocorrência e a considerou um atentado terrorista islamista. "Um de nossos compatriotas foi assassinado porque ele ensinava seus alunos sobre liberdade expressão, liberdade de crer ou de não crer", afirmou Macron. "Não é por acaso que foi um professor que esse terrorista matou. Porque ele queria matar a república nos seus valores, as luzes, a possibilidade de fazer nossas crianças cidadãs livres." A Procuradoria Nacional Antiterrorista da França abriu uma investigação por "assassinato em conexão com uma empreitada terrorista" e "associação criminosa terrorista". Local do assassinato de um professor perto de Paris, na França — mapa — Foto: G1 Mundo

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